A ti casa de demónios... espero que estejas bem...
"Não pretendo ter graça... não pretendo ser profundo... não pretendo impressionar ninguém:... recuperei a infância... sou um miúdo espantado..." António Lobo Antunes
"OFuturo Sai da Fenda e da Feridaa geometria abre a linha para deixar passar a Imaginação. O FUTURO sai da FENDA e da FERIDA. Do que antes foi, hoje sai Sangue. Inundar o VAZIO: o FUTURO inunda o VAZIO. Porque todo o vazio tem por INIMIGO a Imaginação. Porque todo o vazio tem o Inimigo."
Outrora o único espaço que possuía para imaginar era a minha mente… o meu coração… aqui encontrei um espaço onde esse meu coração é levado a pulsar a um ritmo louco e entusiástico… um espaço que me ensinou que o corpo também é alma e no gesto cabe toda a respiração do mundo… um espaço onde o mestre guia os nossos passos na liberdade da descoberta… a minha descoberta… o caminho que trilho sozinha e onde procuro não as respostas mas as inquietações… O espaço, a casa, a raiz… Como é possível que tão longe de mim encontre as raízes que me suportam e me fazem crescer!? É bonito sentir que o longe está perto… sentir o odor duma casa onde a criação vagabunda sem eira nem beira entre o transpirar dos corpos e o voo raso do olhar douto… essa casa que é disciplina, dura contradição, experimentação íntima… Para mim respirar aqui é dádiva divina, porque se enche de luz os meus olhos na procura do invisível… e suspiram as mãos aquando o mergulho das tintas que se fazem corpo e alma na sombra e luz... porque aqui nada sou para a muito ascender… sou indigente corpo que se entrega a vidas maiores e que aguarda a sua visitação. Mui grata sou pois aqui encontrei a essência que me diz…
Adormeci com as luzes da cidade na pele dos meus dedos e acordo sobre o recortado do castelo que se ergue sobre a minha fronte... Nas fracas pernas pesa a minha pequenez mas o sorriso dos lábios é-me intrínseco como a carne que os rodeia...
... fui... entrei num deserto... disponível à graça divina... caminhos de santiago... não obtive respostas... apenas um luzeiro para iluminar as veredas do meu caminho...
Deixa-me escrever... rabiscar as palavras que se perderam no ritmo da língua...
a sala fria, condensada em luto febril... os corpos quentes suspensos o silêncio pálido guardado na janela iluminada as conversas revistas, gastas... os corpos inertes os corpos mortos o choro da porta dá voz à paz funesta o brincar das crianças lá fora... o arfar que explode o peito e rebenta os lábios a vida repleta numa criança... o teu sorriso Alexandre o teu olhar... as tuas lágrimas as tuas mãos apertando os espinhos da rosa a tua esperança paciente o teu perdido olhar a tua coragem ressoa no teu peito a brava cavalaria as tuas lágrimas o teu rosto lacrimejado o teu olhar
Quando me perco de novo neste antigo Caderno de capa preta de oleado Que um dia rasguei com fúria e desespero E que um amigo recolou com amor e paciência
De novo se ergue em minha frente a clara Parede cal do quarto matinal Virado para o mar e onde o poente Se afogueava denso e transparente E a sonâmbula noite se azulava
Ali o tempo vivido foi tão vivo Que sempre à própria morte sobrevive E cada dia julgo que regressa Seu esplendor de fruto e de promessa
Mikha, Vera, Joana, Susana, Márcia, Tiago e Patrícia =)
Só tenho a dizer que a boda do casamento da Ana e do Rui foi muito fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiixe! Em grande parte devido a estas maravilhosas pessoas! =) Obrigado pela simplicidade com que convivemos!
"Viver humanamente não é coexistir com o outro,,, é conviver! É estar com alguém mesmo quando se está sozinho!"