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sábado, 31 de janeiro de 2009

Fucking day

Hoje é um daqueles dias em que apetece berrar até que as que os olhos se inundem de sangue e a saliva se cale...
Hoje é um daqueles dias em que apetece correr descalça... e que os pés se espetem na palha seca e a pele se cubra de lama... que a alma adormeça na viscosidade do pó e as palavras que entopem os ouvidos se cravem no mais fundo penhasco que encontrarem...
Hoje quero que todos desapareçam da minha mente... e da minha fucking vida... quero estar vazia de tudo e de nada... ser apenas ar... o fucking ar que embala as bolas de sabão, o ar que arrefece da boca e aquece o rabo...
Hoje apetece-me falar rasputinês!!! Esbotear-me até que se vá a minha estupidez e se eleve ao ínfimo silêncio... Estou cansada e preciso de libertar esta negra energia que me está a azucrinar a fucking cabeça... Acho que é esta fucking rotina e programação dos dias que me está a por-me paranóica... Parece que não tenho mão na minha fucking vida... dá a fucking sensação que estou a ser programada e não tenho sobre o meu alcance o destino da minha vida....

fucking aaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrghhhhhh!!! fucking fucking fucking fucking

domingo, 9 de dezembro de 2007




Disseram-me que a felicidade é o desejo sempre latente em nosso peito... o querer alcançar mais...
a insatisfação permanente que nos impulsiona...
a angústia de permanecer na aridez de respostas...
Alguém disse que a vida é absurda...
porque este vazio não desaparece...
dilui-se na pele e corrói a alma até a ausência de sentir...

Deixo a pergunta...

O que é a felicidade?

aguardo as vossas dissertações...


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Permanece sempre um suspiro esquecido entre os nós dos braços...
guarda-se sempre uma imagem suspensa em seus níveos cabelos...




Dilui-se a essência nesta ausência do ser
nesta permanência do absurdo que se torna tão real... tão concreto...

minha feia

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Daniela... simplesmente Daniela

imagem formatada por minha feia

"e quando o vento do Outono leva mais do que as folhas caídas... o que fazer?"

Quando o vento leva mais do que as folhas caídas entrega-lhe as tuas lágrimas e ri-te na fronte da morte porque a saudade não é imortal.
A tua força leva-te além do vento, perto das muralhas em que confinamos a vida...
Tu és selvagem... desafia o destino com teus negros
cabelos e salta essas paredes amuralhadas para o atrevimento da vida... Vive como só tu sabes viver... sempre com um sorriso nos lábios e uma imensa solidão esquecida no peito... deixa-a ir com as folhas envelhecidas... não aguardes...
Quando o vento leva mais do que as folhas caídas... liberta esses teus verdes olhos, filhos de um sonho maior naqueles ramos que abraçam a saudade num azul distante...

a ti te dou estas palavras

minha feia

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Espero-te



Chega o Outono... debaixo da poeira que trazes nos sapatos...
Vem de mansinho... soprou-lhe uma brisa... tropeçando nos raios de luz inunda o palpitar da memória...

As recordações arrepiam o olhar e o peito desmaia nos tons amarelos...
Permito o beijo do sol, que sorrateiramente me rouba um sorriso...

Tudo o que me rodeia suspira de beleza tão saudosa... tão quente... são abraços dessas árvores que se despem na confiança da gente...


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

o corpo

O corpo inerte imune aos estímulos exteriores...
O corpo abandonado num fundo qualquer...
Ouve-se ao longe vozes longínquas...
O corpo permanece imóvel ao chamamento...
Percebe as palavras... a mensagem...
Mata o tempo enquanto o tempo enterra o cadáver...
O corpo trôpego que se desfaz...
A pele que envolve a dor... macia
O corpo é...
a saudade é a saudade
a dor é a dor
...não importa a Terra que o corpo pisa
o corpo é o cadáver...

minha feia

terça-feira, 16 de outubro de 2007

divagar...


Tudo o que sou não é mais do que abismo
Em que uma vaga luz
Com que sei que sou eu, e nisto cismo,
Obscura me conduz.

Um intervalo entre não-ser e ser
Feito de eu ter lugar
Como o pó, que se vê o vento erguer,
Vive de ele o mostrar.

Fernando Pessoa




A luz espreitava sobre os ramos fortes das àrvores que se erguiam agasalhando o alcatrão negro... o seu brilho embalava recordações da inconstância que sou... Percebi nesse momento que pertencia ao deserto... a aridez não vem da escassez da àgua mas da abundância das lágrimas... repousei cuidadosamente a minha alma sobre as memórias, deixei-me conduzir pelos contornos das areias...

Renascer... tal como a natureza em cada morno outono... despedir-me do intenso braseiro que se prolonga nas sombras dos dias de verão e aninhar-me na ternura do ténue raio de sol... reparar no corar das àrvores... nos segredos que guardam em ninhos que ficaram esquecidos...

Repousar o olhar nos campos ainda verdes... prosseguir o caminho abandonado... o pensamento na luz que paira no ar... a alma abandona-se na poeira que flutua.. bebe do silêncio... da ausência...

Procuro a paz... recolher o meu íntimo e segredar-lhe a minha verdade... procuro a sinfonia desta luz que passa nas copas das árvores e se refugia nas sombras do chão...

Eu sei que não sou... e o que sou não me pertence... e é daqui que vem a minha mágoa... a minha dor... porque o abismo que encarno não é mais que as ausências da minha verdade...

Desconheço-me a fronte... não me reconheço neste reflexo... suspiro sofregamente a possibilidade do vazio.. do nada que me invade o corpo e me seca a carne, enrola a língua e queima o ar...

A cinza no rosto é o prolongamento do beijo... é a verdade mentida, vertida sobre o caminho que passou... A paz... a luz branca que amarelece as folhas e embaraça a Terra... a paz... o respirar silencioso sobre a carne separada... a luz sobre a carne... a sombra sobre o rosto... soluço do peito... debruçar da alma... esperar na luz... que prolonga o olhar...


segunda-feira, 15 de outubro de 2007